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Depressão

1) A Depressão

A maioria das pessoas pode eventualmente estar se sentindo triste. O sentimento de tristeza pode ser uma reação normal a uma perda, às dificuldades da vida, ou a um evento que compromete a autoestima. Contudo, quando existe um humor deprimido, incluindo sentimento de impotência, falta de esperança, e auto-desvalorização, com duração de vários dias ou semanas, levando ao comprometimento do seu funcionamento normal, deve-se pensar que esta condição pode ser algo mais do que uma tristeza.
Depressão é uma doença que leva as pessoas a sofrerem de uma combinação de sintomas que prejudicam sua capacidade de dormir, estudar, trabalhar, comer e desfrutar de atividades que eram consideradas agradáveis. Especialistas afirmam que a depressão pode ser muito incapacitante, impedindo o indivíduo de funcionar normalmente. Algumas pessoas experimentam apenas um episódio, enquanto outras têm vários episódios recorrentes ao longo da vida.
A depressão não se manifesta de modo uniforme, ou seja, os sinais e sintomas podem ser experimentados por algumas pessoas e não por outras. A gravidade dos sintomas, e o tempo que duram depende da pessoa e do seu contexto de vida. De acordo com o DSM-5, um manual usado para diagnosticar transtornos mentais, a depressão ocorre quando você tem pelo menos cinco dos seguintes sintomas ao mesmo tempo:

- um humor deprimido na maior parte do dia, especialmente de manhã;
- fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
- sentimentos de inutilidade ou culpa quase todos os dias;
- incapacidade de concentração, indecisão;
- insônia (uma incapacidade de dormir) ou hipersonia (sono excessivo) quase todos os dias;
- diminuição acentuada do interesse ou prazer em quase todas as atividades quase todos os dias;
- pensamentos recorrentes de morte ou suicídio (não apenas temendo a morte);
- uma sensação de inquietação ou de estar mais lento;
- perda significativa de peso ou ganho de peso;

O humor deprimido ou a perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, são considerados como sinais muito relevantes no diagnóstico da depressão. Para um correto diagnóstico, estes sinais devem estar presentes na maior parte do dia, diariamente ou quase diariamente durante pelo menos duas semanas. Além disso, os sintomas depressivos precisam causar sofrimento ou prejuízo significativo. Estes sintomas não podem ser explicados por efeito de uma substância, por exemplo, uma droga ou uma medicação. Também não podem ser o resultado de uma condição médica, tal como hipotireoidismo.

 

2) O que pode levar à depressão?

É comum dizer que a depressão resulta de um desequilíbrio químico, onde a disponibilidade de certas substâncias chamadas neurotransmissores se encontra alterada no cérebro. No entanto, este conceito não capta a complexidade da doença. Atualmente, vem sendo sugerido que a depressão tem muitas causas possíveis, incluindo vulnerabilidade genética, eventos estressantes da vida e problemas médicos. Acredita-se que várias destas forças interagem para provocar depressão.
Embora a causa exata da depressão não seja conhecida, um certo número de situações podem ser associadas com o seu desenvolvimento. Em geral, a depressão é resultado de uma combinação de acontecimentos recentes e de longo prazo ou de fatores pessoais. A depressão pode ter maior probabilidade de ocorrer em famílias que apresentam um maior risco genético. No entanto, isso não significa que a pessoa vai experimentar automaticamente depressão se um pai ou parente próximo já teve a doença. As circunstâncias da vida e fatores pessoais podem interferir de forma significativa no risco de um indivíduo apresentar um ou vários episódio depressivos.

 

3) Por que procurar tratamento?

A depressão, quando não tratada, pode levar um período indeterminado para atingir a remissão de seus sintomas, sendo que a duração média de um episódio varia entre seis e oito meses. Enquanto isso, a convivência com a depressão pode ser difícil e angustiante, tanto para o indivíduo quanto para a sua família e amigos.
Relacionamentos, emprego e conquistas de uma vida podem ser seriamente afetados neste período. Há também o perigo de que algumas pessoas venham a recorrer ao uso do álcool ou de drogas ilegais. Pensamento suicida é outro risco associado com esta doença. Qualquer um que expresse pensamentos e intenções suicidas deve ser levado muito, muito a sério e precisa ser rapidamente avaliado por um médico.

 

4) Tratamentos disponíveis

Mesmo em suas formas mais graves, a depressão responde muito bem a um tratamento adequado. Quanto mais cedo uma pessoa é tratada mais eficaz será o tratamento. Além disso, iniciar precocemente o tratamento reduz significativamente a probabilidade de reincidência da depressão. O tratamento da depressão deve ser conduzido por um médico, preferencialmente um psiquiatra, que vai confirmar o diagnóstico e descartar outras causas possíveis que justifiquem o seu quadro clínico. Caso você receba o diagnóstico de depressão será oferecido o tratamento, sendo que os mais comuns são os medicamentos antidepressivos e / ou a psicoterapia. O objetivo de um antidepressivo é estabilizar e normalizar os neurotransmissores no cérebro, tais como a serotonina, a dopamina, e a noradrenalina. Esses neurotransmissores são substâncias presentes no cérebro que desempenham um papel vital na regulação do humor. 

 

5) Dicas que podem ajudar no tratamento

A depressão não pode ser encarada como uma falha de caráter, mas sim uma doença neuropsiquiátrica. Preconceitos associados com a depressão podem dificultar o tratamento. Outro problema encontrado no tratamento desta doença está associado ao fato de que os antidepressivos disponíveis levam mais de uma semana para mostrar qualquer efeito terapêutico. Alguns podem levar várias semanas para produzir a resposta esperada. Esta situação pode provocar um sentimento de impotência e levar a pessoa a perder a fé em seu médico ou no medicamento.
Assim que o tratamento levar a remissão dos sintomas, a orientação é que o medicamento continue sendo utilizado por, pelo menos seis meses, sendo que alguns estudos sugerem até um ano. Portanto, o uso continuo do antidepressivo deve se manter até que o médico defina o término do tratamento.

 

6) Estresse

A maioria das pessoas leva um longo tempo para sair de uma condição estressante. Eventos como o luto, dificuldade no relacionamento, problemas financeiros, sobrecarga de trabalho, podem gerar problemas físicos e psicológicos. Quando estes e outros eventos estressantes acontecem, você tem um maior risco de desenvolver depressão.
Faça mudanças em sua vida para ajudar a gerenciar e reduzir o estresse. Muito estresse agrava a depressão e aumenta o risco para novos episódios depressivos futuros. Avalie os aspectos de sua vida que lhe provocam desconforto e tente considerar alternativas para minimizar o seu impacto. Caso você inicie com desânimo, tristeza e pare de se relacionar com amigos e familiares, aumentando progressivamente o seu isolamento, não tente lidar com seus problemas por conta própria, procure ajuda especializada.

 

7) Hábitos saudáveis

O exercício regular pode aumentar a serotonina, endorfinas e outras substâncias químicas do cérebro levando a pessoa a sentir-se bem. Além disso, aciona o crescimento de novas células e conexões cerebrais. O melhor de tudo, você não tem que treinar para uma maratona, a fim de colher os benefícios. Mesmo uma caminhada de meia hora por dia pode fazer uma grande diferença. 
Comer bem é importante para a sua saúde física e mental. Alimentar-se com pequenas refeições bem equilibradas ao longo do dia o ajudará a manter sua energia para minimizar alterações de humor. O sono também tem um forte efeito sobre o humor. Quando você não dorme o suficiente, os seus sintomas de depressão tendem a piorar. A privação de sono agrava irritabilidade, mau humor, tristeza e fadiga. 
Tente ainda manter contato regular com amigos e familiares, ou considerar criar novos grupos de amigos. O voluntariado é uma ótima opção para aumentar seu contato social e ajudar os outros, além de ajudar a si mesmo.

Referências:

1- Cassano P, Fava M. Depression and public health, an overview. Journal of Psychosomatic Research, 2002; 53:849–857.
2- Depressive Illness: An Information Guide. A Guide for People with Depression and
Their Families:
http://knowledgex.camh.net/amhspecialists/resources_families/Documents/Depressive_Illness.pdf. Acessado 02 de Março de 2015.
3- Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5). American Psychiatric Association. 2013.

Este material é uma prestação de serviço ao médico e ao paciente e não possui caráter indutivo de prescrição, nem tão pouco visa influenciar a escolha da medicação prescrita
Material produzido em Maio de 2015
Médico consultor: Dr. Antonio Reis Sá Jr. (CRM/MG 34.290)