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Epilepsia: Vida sem crise no paciente infantil

O papel do cuidador no tratamento da epilepsia


Ter uma criança com epilepsia em casa requer muito carinho e dedicação, principalmente com a administração correta do medicamento e as consultas periódicas com o especialista, mantendo-as sempre em dia. Esses são os meios mais eficazes de garantir que ela possa desenvolver suas atividades diárias e não colocar em risco sua saúde física e/ou emocional.

É responsabilidade dos pais e cuidadores promover a autonomia, a adesão ao tratamento, o bem-estar e a autoestima dessa criança. Mas, além disso, é necessário evitar a superproteção e combater o preconceito por parte da sociedade.

Você pode fazer isso mantendo-se esclarecido e fornecendo informações claras e seguras a respeito da doença e de seu tratamento à criança e às pessoas próximas e que convivem com ela. Assim, você criará um ambiente saudável e amistoso para todos.

A importância da adesão ao tratamento


Ao não realizar o tratamento de acordo com a prescrição médica, com a administração do medicamento nos dias e horários estabelecidos pelo profissional, a criança com epilepsia fica exposta a diversas complicações, que afetam diretamente seu bem-estar e sua qualidade de vida. As mais frequentes são:

  • As recidivas, que podem levar a acidentes e fobias;
  • Crises mais longas, que levam à internação hospitalar e podem ocasionar sequelas cognitivas;
  • Alterações de comportamento (depressão, ansiedade);
  • Risco de efeitos adversos medicamentosos (sonolência, redução da concentração, dificuldade de equilíbrio, mudança do humor, agitação e distúrbios hematológicos) e de novas crises, em razão da descontinuidade do tratamento.

 

Como lidar com a epilepsia


A superproteção por parte dos pais e cuidadores, na maioria das vezes, é mais prejudicial do que benéfica para a criança com epilepsia, fazendo com que a patologia se converta em um problema ainda maior.

Portanto:

  • Encare a epilepsia com naturalidade, tendo em mente que a doença pode ser perfeitamente controlada com o tratamento indicado pelo especialista;
  • Não exponha a criança a comentários desnecessários no meio social;
  • Oriente a escola para que, ressalvadas as exceções médicas, dispense a seu filho o mesmo tratamento dispensado às demais crianças;
  • Em casa, não diferencie o tratamento da criança com epilepsia dos demais irmãos. Ela deve ser tratada e incentivada como qualquer outra criança.
     

Cuidados indispensáveis

Após o diagnóstico certo e durante todo o tratamento, algumas atitudes e cuidados devem ser tomados, visando ao bem-estar e à qualidade de vida da criança com epilepsia:

  • Comunique parentes e amigos sobre a doença, para que eles possam estar preparados e prontos para ajudar em caso de crises;
  • Na escola, conscientize diretores, professores e colegas mais próximos, para que saibam como agir durante e após uma crise;
  • Providencie uma identificação de pessoa com epilepsia para a criança. Ela deve conter informações como: diagnóstico, medicamentos de urgência, seus contatos e nome e telefone do médico que acompanha o tratamento;
  • Fique atento ao comportamento e aprendizagem escolar da criança, uma vez que a epilepsia pode se associar a transtornos psiquiátricos e comportamentais que podem interferir com o rendimento escolar;
  • Estabeleça um horário para a administração do medicamento, evitando o esquecimento de uma dose;
  • Não reduza ou fracione a dose do medicamento prescrito pelo médico por conta própria. O sucesso do tratamento depende do uso contínuo da dose adequada para cada caso;
  • Cuide para que os fatores desencadeantes das crises sejam evitados;
  • Tenha a medicação sempre disponível. Isso é fundamental para a segurança física e emocional do epiléptico.

Durante uma crise convulsiva


Durante uma crise convulsiva, a criança deve permanecer, de preferência, deitada de lado. Sua cabeça deve ser protegida, afastando-se os objetos mais próximos. Dessa maneira, evitam-se machucados e facilita-se a saída de secreções pela boca.

É importante saber que nada deve ser introduzido na boca da criança para impedir que sua língua se enrole. Esse procedimento nunca é recomendado. Em caso de ferimentos, o serviço de urgência e emergência deve ser  cionado.

As crises epilépticas, geralmente, são autolimitadas e duram entre poucos segundos e, no máximo, três minutos. Nesses casos, após a crise, coloque a criança para descansar, deitando-a na cama ou no sofá ou acomodando-a em uma poltrona confortável.

Em caso de crise prolongada, com duração de mais de cinco minutos, deve-se contatar o médico que acompanha o paciente e solicitar ou buscar atendimento de emergência, para condutas mais adequadas.

Referências:

Supervisão Técnica
Dra. Maria Luiza Giraldes de Manreza - CRM 17097-SP
Doutora em Neurologia; supervisora da disciplina de Neurologia
Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

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